Tarifa Frejat é influência do grupo Roriz

ReproduçãoPor Fred Lima

A tarifa Frejat de R$ 1,00 para o transporte público do DF é popularesca e eleitoreira. Por que só agora o candidato incluiu a proposta em seu programa de governo? Vejo que a influência de tal ideia foi do grupo rorizista, pois não faz parte do estilo Arruda de governar. A promessa lembra o compromisso de aumento de 28% do salário dos professores, feita pelo então candidato Joaquim Roriz na campanha de 1998, com o intuito de obter votos de uma classe que votava em peso no PT-DF.

Da Redação

Opinião: O PT-DF e suas contradições

PT-DF reunido. Reprodução

PT-DF reunido. Reprodução

Por Fred Lima

Nas eleições de 1998, 2002 e 2010, era comum ouvir petistas da Capital Federal bradarem por todos os cantos que o ex-governador Joaquim Roriz só tinha votos entre os desinformados que moravam em Samambaia, Estrutural, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Santa Maria, Itapoã, Ceilândia etc. Agora, com a candidata-presidente Dilma Rousseff só obtendo votos em peso no Nordeste, os petistas candangos se indignam quando alguém afirma que só os desinformados nordestinos votam no PT. Ora, não era isso que eles sempre diziam dos eleitores do Roriz?

O PT-DF, até 2010, era considerado um partido da classe média de Brasília. Os votos do partido estavam sempre concentrados no Plano Piloto, Lago Sul/Norte, Cruzeiro, Guará, Sobradinho e Park Way. Somente quando se coligaram com o PMDB – partido que já obtinha muitos votos na periferia do DF –, o PT passou a receber parte dos votos de moradores das satélites que antes diziam ser currais eleitorais do rorizismo.

É engraçado ver deputados distritais e federais do PT-DF criticando veementemente as supostas declarações xenofóbicas de integrantes do PSDB contra o Nordeste. Quer dizer que quando o partido só obtém votos em regiões pobres do país não se pode criticar a falta de informação do povo, mas quando só tem votos na elite brasiliense aí se pode criticar a periferia do DF? Onde está a coerência?

Da Redação

 

Dilma e Agnelo não deixaram marcas de governo

Divulgação

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Por Fred Lima

Antes de Dilma, todos os presidentes que passaram pela Presidência da República tinham deixado uma marca de governo, um estilo de governar. José Sarney foi importante para conduzir o processo de transição da ditadura para a democracia. Fernando Collor, impeachmado pelo Congresso Nacional, deixou como legado a abertura econômica do país. Itamar entrou para a História por ter lançado o Plano Real. Fernando Henrique foi decisivo para consolidar a estabilidade econômica e promover profundas reformas no sistema econômico brasileiro. Lula avançou socialmente distribuindo renda e tirando milhões de pessoas da miséria. E Dilma? Não deixou nenhuma marca de governo importante.

Governo de continuidade, como o de Dilma, não significa que será uma cópia descarada e sem novidades. Dilma deu prosseguimento aos projetos de seu partido e do ex-presidente Lula, mas o que fez de diferente? Nada. Governou com uma agenda cheia de colas, sem nenhuma inovação.

Agnelo

O problema maior do governo Agnelo foi tentar de forma obstinada ser o governo Joaquim Roriz, onde as obras eram o foco do GDF. Talvez pelo fato do vice Tadeu Filippelli ter sido secretário de Obras de Roriz, a identidade do governo Agnelo foi uma cópia mal feita e descarada daquela gestão, que, apesar de ter colocado as obras de infraestrutura como prioridade, tinha a distribuição de renda como diferencial.

Queiram ou não, Roriz é um político muito mais inteligente do que o atual governador. Ele sabia que o povo não se contentaria apenas com obras inauguradas. Para isso, distribuiu bolsas – o PT criticou, mas depois copiou –, dialogou muito com o povo e terminou seu quarto governo (2003-2007) com a popularidade alta.

O “novo caminho” proposto por Agnelo na eleição de 2010 é o software pirata do governo Roriz.

Da Redação

Opinião: Gêmeos separados no nascimento

Reprodução

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Por Fred Lima

Nas eleições de 1998 e 2002, petistas e rorizistas só faltavam brigar de foice defendendo seus candidatos em Brasília. Não imaginavam que o então candidato à Presidência pelo PT em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, se transformaria em uma espécie de Roriz no plano nacional, durante seus 8 anos de mandato.

A semelhança entre Lula e Roriz é assustadora. Não é a toa que Roriz foi um dos fundadores do PT em Luziânia, em 1980. Ambos foram imensamente favorecidos pelos frutos plantados em tempos adversos por seus antecessores, mas sempre fizeram questão de apregoar que receberam heranças malditas de outros governos. Não aceitam avanços alcançados nas gestões anteriores. Para Lula, o Brasil foi “descoberto” em 2003. Para Roriz, Brasília foi “descoberta” em 1988 e “redescoberta” em 1998, ano que retornou ao GDF, após 4 anos de governo petista.

Lula e Roriz adoram um palanque, discursam para as classes menos favorecidas e gostam de dividir Brasília e o país entre ricos e pobres. Quando a imprensa pega no pé por causa de alguma irregularidade, logo sobem no palco e se dizem perseguidos pela elite.

As políticas do ex-presidente e do ex-governador se baseiam em programas de distribuição de renda, que foram iniciados em outros governos. O Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação e Vale-Gás são programas do governo Fernando Henrique. O Saúde em Casa e Bolsa-Escola foram programas que começaram no governo Cristovam Buarque.

A única diferença entre Lula e Roriz é que um gosta de futebol e o outro de gado. Por isso, é um tanto estranho ver um petista defender Lula e atacar Roriz, ou vice-versa. São gêmeos separados no nascimento.

Da Redação