Frejat aposta em tirar voto de adversário

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Agora candidato, ex-secretário acredita também na transferência, para ele, do capital eleitoral de Arruda

Em seu primeiro dia de cabeça de chapa, o candidato ao Buriti Jofran Frejat (PR) afirmou,

ontem, que acredita na transferência de votos de seu antecessor na disputa, José Roberto Arruda (PR), e que pode tirar votos dos próprios adversários.

Em encontro no Conselho de Farmácia do DF, o candidato declarou que acredita na experiência que  teve em outros governos e que Arruda está na coordenação de sua campanha.

 “Eu não saberia dizer se herdarei os votos do Arruda, mas seria uma pena que não herdasse. Como é que os adversários estão adivinhando?”, questionou  Frejat. Ele mesmo completou: “Tem muita gente que ia votar no Arruda por minha causa também. Quem sabe não vou herdar votos dos outros candidatos? Quem sabe o pessoal do PT não votará em mim, ou do PSDB. Ou do PSB?”.

Jofran repetiu que manterá como base de sua campanha o programa de governo elaborado ainda pela campanha de Arruda e que o ex-governador ainda está na coordenação da campanha.

“Aquilo que foi feito e que vou respeitar é o programa de governo, que elaboramos em conjunto e que concordamos, A partir daí nós é que vamos tocar o barco”, declarou Frejat.

Universidade do DF

Ex-secretário de Saúde, Jofran prometeu que, caso eleito, investirá na construção de uma universidade local para o Distrito Federal e em reestruturação da saúde. “Na minha época não tinha paciente sofrendo nas filas dos hospitais, não havia falta de medicamento, de seringas. O que faremos para recuperar a saúde será muito trabalho”, afirmou o candidato.

Aos farmacêuticos, Frejat afirmou que abrirá concurso para o segmento e criará mecanismos para que haja profissionais da área em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais, nos postos do Saúde em Casa, centros de saúde e farmácias 24 horas. “Eu, que sou médico há muitos anos, de vez em quando preciso consultar a bula. Agora imagina quem nem sabe ler?”, perguntou.

Frejat criticou a atual gestão da saúde e afirmou que o governo mantém o mesmo número de centros de saúde desde sua gestão. “Dos pouco mais de 60 centros de saúde do DF, 53 fui eu quem construiu. Todos chamavam a Faculdade de Medicina de Escolinha do Professor Frejat, mas depois que ela foi escolhida umas das melhores do País, apareceu um monte de pais dela”.

Campanha não mudará

Para Rodrigo Rollemberg (PSB), a ausência de José Roberto Arruda (PR)  não afetará sua campanha, já que o ex-governador nunca foi dono dos votos. O candidato do PSB pretende continuar mostrando seu projeto e diz que não teme ataques.

Em campanha no centro de Taguatinga, Rollemberg passou pelo comércio, conversando com  eleitores. As reclamações sobre o transporte público foram intensas quando o candidato esteve ao lado de uma parada de ônibus.

Sobre a candidatura recém-registrada de Jofran Frejat (PR), Rollemberg preferiu evitar comentários. A intenção é fazer uma campanha propositiva, independentemente de ataques que possam vir. “Não me importa qual é a estratégia dos outros candidatos. Nós vamos continuar com nosso propósito de fazer uma campanha propositiva, limpa, para ser governada por um governador ficha limpa”, afirmou.

O candidato do PSB não acredita em transferência de votos para Frejat e quer se apresentar como alternativa para o DF. “O voto não é do Arruda, é do eleitor. Em nenhum momento,  escolhemos adversários, mas escolhemos aliados. Nosso aliado é a população e é com ela que estamos dialogando e  queremos os votos, apresentando nossas as propostas. Arruda não é dono de ninguém”, opinou.

Saiba mais

O governador Agnelo Queiroz (PT) passou ontem pelo Guará I.

O candidato à reeleição percorreu quadras comerciais e prometeu reformar todo o complexo  do Cave, incluindo o estádio e o kartódromo.

A prioridade do petista, caso seja reeleito, será o aumento no número de escolas da rede pública com educação integral.

Durante a visita, Agnelo destacou investimentos na cidade.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Dois suicidas e um emergente político disputam o Buriti

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Por Kleber Karpov

Desde a redemocratização do país em que os cidadãos passaram a escolher seus representantes em 1989, a população do Distrito Federal pela primeira vez tem um cenário singular na disputa eleitoral para o cargo de governador. Embora haja seis candidatos ao Executivo os nomes de José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg, formam a tríade que disputará as eleições em segundo turno.

De um lado do ringue Arruda, eleito a senador (1994, Antigo PP), deputado federal (2002, antigo PFL) e posteriormente a governador do DF (2006, Antigo PFL). Com um currículo invejável por ser o deputado que, proporcionalmente, teve o maior número de votos em 2002 e foi eleito para governar o DF derrotando em  primeiro turno as candidatas Maria Abadia (PSDB) e Arlete Sampaio(PT). Arruda também coleciona participação em escândalos  a exemplo dos painéis eletrônicos no Senado que resultou na renúncia do mandato em 2010 e do Mensalão do DEM (Democratas-DF) em que acabou preso preventivamente para evitar atrapalhar as investigações.

Arruda que tentava voltar ao GDF foi barrado pela Justiça ao ser considerado inelegível  pela Lei da Ficha Limpa pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), por improbidade administrativa, em segunda instância (9/Jul). Isso ocorreu cinco dias após efetuar o registro de candidatura ao Executivo. Embora tenha recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e perdido o recurso, pretendia recorrer ao Superior Tribunal Federal (STF), mas desistiu da candidatura, e deu lugar ao vice, Jofran-Frejat que terá como nova vice, a esposa de Arruda, Mariane Vicentine.

Na luta para tentar manter a campanha rumo ao GDF, Arruda afrontou a Justiça brasileira em durante um debate entre candidatos (30/Ago) em que mencionou “Sou do tempo em que eleição se ganhava no voto. Sem regras. Sem leizinhas feitas para pegar este ou aquele” na Associação Comercial do Distrito Federal.

Do outro lado do ringue está Queiroz, que há 20 anos faz parte da vida pública passando pelas Câmaras Distrital (1990, PCdoB-DF), Federal (1994/2003, PCdoB-DF). O político assumiu ainda as pastas de Ministro dos Esportes (2003/2006) no governo Lula e de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, 2007 à 2009). Em 2010 foi eleito governador (PT-DF), em segundo turno onde disputou a vaga ao Executivo com Weslian Roriz (PSC-DF).

Embora o nome de Agnelo tenha figurado em denúncias, ainda no Ministério dos Esportes no programa Segundo Tempo, na operação Shaolin, em escândalos ligados a Anvisa, a Carlinhos Cachoeira e invasão de áreas públicas, as investigações resultaram em arquivamento de processo ou o inocentaram. No entanto o calcanhar de Aquiles de Agnelo se resume ao peso de se ter o segundo pior índice de rejeição do país.

Mesmo com a segunda maior verba publicitária do país, que só perde para o Governo Federal, o governo Agnelo tem contra si, alguns que inibem qualquer possibilidade de ter a popularidade aumentada: ter fechado as portas do diálogo com as entidades sindicais ao criar as Mesas de Negociações em que os sindicatos passaram a interagir direto com as secretarias de estado; não reajustar salários de servidores da saúde, segurança e da educação, à exceção dos médicos e agentes do Detran; parcelar as incorporações de gratificações em três, quatro anos;  descumprir a promessa mais importante que fez durante a campanha eleitoral de 2010, de assumir a Secretaria de Saúde; fazer lançamentos e inaugurações simbólicas; ter problemas decorrentes da falta de médicos e de materiais hospitalares; falta de professores e mais ainda, investir cerca de R$ 2 bilhões na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha.

Nesse cenário de disputa, surge Rollemberg, secretário de turismo (1996/1998), deputado distrital (1998/2002 PSB-DF), terceiro lugar concorrendo à governador em 2002,   Secretario de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (2004/2006), deputado federal (2007/2011 PSB-DF) e senador (2010, PSB-DF). Com o discurso da ética e de uma campanha limpa, Rollemberg deixa aos candidatos ao GDF, até o momento, como tentativa de desconstrução da imagem acusá-lo de ter entrado no funcionalismo público por indicação do pai, um político renomado, sem ter efetuado concurso, em uma época que não era exigido um concursado não era obrigado a ser concursado.

Rollemberg tem surpreendido o cenário político da cidade, pois havia quem esperasse que na disputa Arruda x Agnelo, o candidato Toninho (PSOL-DF), poderia ter se posicionado melhor junto à população do DF, uma vez que, em 2010, obteve quase 15% dos votos para governador, no entanto as pesquisas o colocam em quarto lugar.

Apagados na campanha seguem ainda Luiz Pitman (PSDB-DF) que não consegue emplacar sob as asas do candidato à presidência, Aécio Neves (PSDB), e Perciliane Marrara (PCO), mesmo em campanha, também teve o registro de candidatura negado pelo TER-DF, por não apresentar a prestação de contas das eleições passadas.

Como o juiz dessa disputa é o eleitor, resta saber se os termômetros das pesquisas de opinião, com a saída de Arruda e entrada de Frejat, indicarão se haverá fuga dos eleitores de Arruda para outros candidatos e as possíveis oscilações, com a mudança do cenário político. Ao que tudo indica, a briga será intensificada nos próximos dias.