Marina diz que pagou ‘preço alto’ por ter divulgado programa de governo

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Derrotada no primeiro turno da eleição presidencial deste ano, a ex-senadora Marina Silva (PSB-AC) afirmou, em sua primeira entrevista exclusiva após o encerramento da disputa pelo Palácio do Planalto, que pagou um “preço muito alto” por ter divulgado com antecedência seu programa de governo. Sem citar nomes, a ex-ministra do Meio Ambiente disse ao programa Roberto D’Avila, da GloboNews, que seus adversários usaram as propostas apresentadas pela campanha do PSB para desconstruir sua candidatura.

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Declarações polêmicas marcaram julgamento do deputado Rôney Nemer

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Por Fred Lima

O deputado distrital Rôney Nemer (PMDB), eleito deputado federal este ano, foi condenado por unanimidade pela 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). A condenação por improbidade administrativa se deu por envolvimento do parlamentar no escândalo da Operação Caixa de Pandora, em 2009, que resultou na queda do então governador José Roberto Arruda. Condenado em segunda instância com três votos, Nemer ainda poderá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Um dos acontecimentos que mais chamaram atenção durante o processo de investigação e julgamento de Rôney Nemer foram as declarações do desembargador relator Mario-Zan Belmiro e de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM. “A corrupção não se faz à luz dos holofotes, por isso há dificuldade em se chegar à verdade real”, afirmou o relator. A declaração pode gerar interpretações variadas, como a de que não havia indícios suficientes para a condenação de Nemer.

Já Durval foi ouvido em primeira instância e afirmou: “Rôney tem por vício rezar muito e pedir emprego, mas nunca dei dinheiro para ele”. Vale lembrar que um dos requisitos da delação premiada é o delator não poder mentir. Caso o contrário, se perdem os benefícios da delação. Por que então o depoimento de Durval Barbosa não foi acatado pela Justiça?

As declarações, principalmente a de Durval Barbosa, podem servir de munição para Rôney tentar reverter o resultado no STJ. Caso não consiga, seu cargo de deputado federal provavelmente será preenchido por seu suplente, o deputado distrital Alírio Neto (PEN), que é conhecido no DF por ser um grande idealizador de projetos sociais.

Da Redação

 

A política e o jeitinho brasileiro

images (1)Por Fred Lima

Mais de uma semana após as eleições, muitos cidadãos ainda estão perguntando: Por que o brasileiro continua elegendo políticos suspeitos de corrupção? Não é uma pergunta tão difícil de responder. Sobre essa tolerância da sociedade com a corrupção, o sociólogo Alberto Carlos Almeida, em sua obra A Cabeça do Brasileiro, cita uma pesquisa da PESB – Pesquisa Social Brasileira com relação ao “jeitinho brasileiro”: 

A questão fundamental é simples: seria o jeitinho a ante-sala da corrupção? Pode-se afirmar que quanto maior é a sua aceitação, maior também é a tolerância social à corrupção? Os resultados da PESB parecem indicar que a resposta a ambas as perguntas é sim. Ao contrário da moralidade norte-americana, a brasileira admite a existência de um meio-termo entre o certo e errado. Quanto maior for a utilização e aceitação desse meio-termo, maiores serão as chances de que haja uma grande tolerância em relação à corrupção. (ALMEIDA, 2007. p. 48).

            Qual seria então a causa de aceitação do meio-termo no Brasil com relação à corrupção? Acredito ser os benefícios pessoais, além do carisma que certos políticos usufruem para continuar enganando as massas. O pensamento do senso comum é: se distribuir benefícios e tratar o povo com simpatia, pode roubar à vontade! 

            Após o resultado da eleição presidencial, muitas pessoas inconformadas tentaram transferir a culpa para o Nordeste devido à reeleição da presidenta Dilma, já que a região vota em peso no PT desde a eleição de 2002. Engana-se quem pensa que foi o Nordeste que reelegeu Dilma. Claro que a região foi fundamental para a vitória da petista, mas não foi somente lá que ela recebeu muitos votos. No Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, a candidata-presidente recebeu mais votos do que Aécio Neves. 

            Então o que levou Dilma a ser reeleita? Uma série de fatores, incluindo a competência de seu marqueteiro, João Santana, além da aceitação do meio-termo por parte dos eleitores da presidenta, já que foi em seu governo que estourou o maior escândalo de corrupção da História do Brasil, o Petrolão, que fez a Petrobras ser transformada em um balcão de negócios pelo PT em favor dos partidos aliados que apoiam o Planalto no Congresso Nacional. 

            O jeitinho brasileiro está presente em todas as classes sociais. Como os xenofóbicos anti-nordestinos conseguem explicar o porquê de Paulo Maluf (PP-SP) ter sido o deputado mais votado do país na eleição de 2010, um político procurado pela Interpol e acusado por uma série de escândalos de corrupção? Ora, São Paulo não é o estado mais rico da federação?

            A tese “rouba, mas faz” é aceita tanto por ricos quanto por pobres, e pode estar enraizada tanto na sociedade que tem só o ensino fundamental quanto na que tem doutorado. 

            A maioria da população ainda segue à risca o meio-termo entre o certo e o errado. Enquanto o jeitinho brasileiro ou a ignorância imperar no coletivo teremos políticos corruptos ou coniventes com a corrupção exercendo os maiores cargos públicos deste país. 

Da Redação

As medidas impopulares e a reação petista

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Dilma passou toda a campanha insinuando que se Aécio Neves vencesse iria apresentar um pacote de medidas impopulares criado por Armínio Fraga, escolhido para ser ministro da Fazenda, caso o tucano fosse eleito presidente da República. É interessante notar que quem começou a apresentar um pacote de medidas impopulares, nesta semana, após ser reeleita, foi Dilma, como o aumento da gasolina, da energia elétrica e dos juros.

Os petistas sempre tiveram reações diferentes em se tratando de medidas impopulares. Veja:

No governo FHC: maldito sociólogo, inimigo dos trabalhadores e companheiro da classe neoliberal!

No governo Dilma: coitada da presidenta! Vamos rezar para que ela consiga enfrentar todos os percalços e sair vitoriosa!

É pra rir ou pra chorar?

Sobre virtudes e hábitos. A vitória de Dilma, uma análise quase aristotélica

Bacharel em Filosofia, Mestre e Doutor em Literatura todos pela UnB.

Bacharel em Filosofia, Mestre e Doutor em Literatura todos pela UnB.

Por Luiz Reis

A recente vitória da presidenta Dilma, que pegou de surpresa grande parte da mídia e dos analistas políticos, não deveria nos surpreender tanto assim. Ao contrário das afirmações descabidas sobre um suposto uso eleitoreiro dos programas sociais, seria mais correto afirmar justamente o contrário. Utilizando a visão aristotélica de virtude este artigo busca expor causas para a reeleição e sobre a vitória do PT que desmentem as razões elencadas e bradadas aos quatro ventos.

Na Ética a Nicômaco podemos ler a seguinte afirmação: “o discernimento não pode ser conhecimento científico nem arte… ele é uma qualidade racional que leva à verdade no tocante às ações…”. Para Aristóteles, a virtude é o hábito, ela pressupõe a prática e ninguém pode ser virtuoso apenas na teoria. O discernimento se conquista lentamente, poder olhar de forma esclarecida é um processo.

O Brasil evolui em Educação fundamental e básica, isso é inegável, ao mesmo tempo uma parte grande da população consegue ter aceso ao ensino superior. Muitos casos de pessoas que declaram ser as primeiras em suas famílias a conseguir um diploma são mais comuns do que afirmaria alguém de fora do mundo educacional. Esta transformação surge num contexto de programas sociais que levam à escola, que estimulam a independência econômica, ao contrário do que afirmam os detratores dos programas de inclusão, e que transformam os motivos do voto.

O que já foi experimentado e se apresenta como novo foi rejeitado em todo país. O candidato a governador do DF Jofran Frejat repetia a toda hora representar a mudança, mas ninguém acreditou nele. O candidato Aécio adorava repetir a palavra mudança, deve ter sido a palavra que ele mais usou ao lado de valores, mas teve adeptos majoritariamente entre os eleitores mais retrógrados e conservadores. O discernimento vem do hábito, o brasileiro sabia que estes candidatos não eram o novo, o que levou a uma rejeição de suas candidaturas.

A virtude é um hábito, uma população capaz de discernir entre o falso novo e um governo progressista. A vitória de Dilma se deve então a um esclarecimento que tira as pessoas da minoridade e destrói discursos velhos que se apresentam como novo. Ao rejeitar a tese do conservadorismo travestido de mudança, nosso povo deu uma aula a grande parcela de nossa intelectualidade e, em especial, a parte da mídia que acha que apenas votar em A ou B pode ser tido como consciente. Esta transformação pode ser considerada revolucionária no sentido de indicar de forma nada aristotélica que as transformações engendram novas mudanças e que este processo muda a cara de um país e de um povo.

O Brasil não foi descoberto em 2003

Lula e FHC, na posse do petista, em 2003. Reprodução

Lula e FHC, na posse do petista, em 2003. Reprodução

Por Fred Lima

Durante a campanha, Dilma recorreu ao mesmo método de Lula para desconstruir a imagem da era FHC. Com a chegada do PT ao poder, uma propaganda eficaz, mas enganosa, incutiu no senso comum da população de que antes de Lula o país era um caos.

A verdade é que o Plano Real foi o big bang da prosperidade econômica no país. Ao combater a hiperinflação, a moeda mais importante da história do Brasil deu condições suficientes para o governo Fernando Henrique organizar a economia e começar a traçar um planejamento de longo prazo para combater a pobreza. Lula, que sucedeu o tucano, foi beneficiado pelas ações de seu antecessor.

ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA

Gerou efeitos negativos aos trabalhadores durante a gestão de FHC. Todavia, naquela conjuntura, era inevitável a não dosagem do remédio amargo, para depois, quando cessassem as crises externas, o país pudesse respirar e colher os frutos que foram plantados em sol escaldante e terra seca.  O Brasil, sem as medidas impopulares tomadas por Fernando Henrique em seu segundo mandato, hoje seria semelhante a um Paraguai. Sem a conquista da estabilidade econômica não haveria distribuição de renda depois.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Corrupção grave é justificada por distribuição de renda. Deu, pode roubar! Ou estou mentindo? O problema é que a tal da distribuição de renda é pura enganação como vem sendo feita nos últimos anos. Põe o salário mínimo nas alturas, mas esquecem de dizer que a inflação está vindo por trás e corroendo todo o poder de compra do brasileiro.

PRESIDENTE DILMA X CANDIDATA DILMA

A política econômica de Dilma foi desastrosa, pois permitiu o aumento da inflação, onde tivemos o menor crescimento econômico desde os governos Collor e Floriano Peixoto. Durante a campanha, Dilma atacou duramente os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), afirmando que eram apoiados por banqueiros. Com a saída de Guido Mantega em seu segundo mandato, Dilma vem sondando o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, para assumir a Fazenda, provando que a presidente Dilma pensa muito diferente da candidata Dilma.

Da Redação

Rollemberg, Renato e o desafio de reaver o DF que o povo quer

ReproduçãoPor Kleber Karpov

A população do Distrito Federal deu o seu recado nos dois turnos do processo eletivo de 2014. No primeiro ao dar um basta ao governo de Agnelo Queiroz (PT-DF), que foi sinônimo de ostracismo, de descumprimento de promessas, de incapacidade de gerência, de gastos com obras superfaturadas e não prioritárias, do inchaço da máquina pública com cargos comissionados não garante reeleição.

O DF disse ainda que apenas uma mocinha em um hospital vestida de “Posso Ajudar”, não resolve os problemas com saúde de nossa cidade; que fazer inaugurações simbólicas ou monitorar hospitais do gabinete por meio de câmeras de vídeo não garante o atendimento de pacientes; que não pretende continuar a colocar crianças em ônibus para estudar em outras cidades.

Já no segundo turno o recado foi mais importante. A população acenou que não permitirá que a cidade continue a ser um celeiro de corruptos;  que é consciente que apenas o preço da passagem de R$ 1,00 não resolve outros problemas graves como saúde, segurança e educação; que não está disposta a ser manipulada ou enganada com falsas promessas.

Mais que isso, que a sociedade brasiliense deixou claro que aprendeu a discernir em meio a uma campanha eleitoral que aprendeu a identificar candidatos que usam de jogos sujos, sórdidos e mentirosos para tentar ganhar uma eleição.

Já para Rodrigo Rollemberg (PSB) e Renato Santana (PSD-DF) o recado do povo foi mais contundente. Isso porque ao dar ao novo governador e vice, um voto de confiança, deixou claro que a população estará atenta as ações, iniciativas e à forma de fazer política na cidade. A cidade se expressa favorável às mudanças, mas em uma gestão eficiente, limpa e transparente com o compromisso de que se resolvam os problemas da população do DF.

Parabéns a população do Distrito Federal, pelo discernimento na escolha dos candidatos. E a Rollemberg, Renato por aceitarem esse grande desafio de fazer com que toda a população do DF volte a se orgulhar de serem os filhos da capital do país.

Fonte: Política Distrital

A última chance

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O primeiro mandato de Dilma foi marcado pela recessão econômica e por escândalos de corrupção; agora ela tem a chance de dar um novo rumo ao seu governo, mas o horizonte dá claros sinais que pode ser ainda pior

Por Fred Lima

Um amigo que faz análises econômicas e de conjunturas internacionais me disse há uma semana: Se Aécio vencer a disputa, não será reeleito em 2018. Motivo: quem ganhar pegará um país totalmente desacreditado economicamente, o que dificultará bastante a retomada do crescimento. Além disso, um então provável governo Aécio teria que enfrentar a falência do setor energético no país, onde só no mandato de Dilma foram fechadas 70 usinas da indústria do etanol. O tucano ainda teria que enfrentar a duríssima oposição que seria feita pelo PT no Congresso Nacional. Segundo ele, caso a presidente fosse reeleita, o cenário teria tudo para ser ainda pior.

O primeiro governo Dilma cresceu apenas 2% em quatros anos, bem abaixo da média da América Latina (3,3%) no mesmo período. Desde o governo Itamar Franco, o Brasil sempre cresceu acima dos países latinos, inclusive em períodos adversos da economia mundial, como aconteceu durante os oitos anos de Fernando Henrique Cardoso (BR- 2,3%; AL- 2,2%). O problema maior é que Dilma pegará uma economia fragilizada – por culpa de sua política econômica -, bem diferente daquela quando assumiu em 2011.

Lula legou a Dilma uma economia forte e em expansão, mas a presidente aumentou o papel de influência do Estado no setor, gerando desconfiança por parte do Mercado. Agora, após o fracasso econômico de seu primeiro mandato, a presidente reeleita terá muitas dificuldades para reconquistar os investidores, que estão em retirada do país.

Não bastassem todos os problemas na área econômica, Dilma tem pela frente o desfecho de um gravíssimo escândalo de corrupção na Petrobras, onde, segundo a revista Veja, a presidente teve o próprio nome citado pelo doleiro Alberto Youssef, delator do esquema. De acordo com Youssef, Dilma e o ex-presidente Lula tinham conhecimento de todas as falcatruas que ocorriam na estatal, que deixou de ser a 12ª maior empresa do mundo e caiu para a 120ª posição nos últimos quatro anos, se tornando a estatal mais endividada do planeta.

No Congresso, Dilma tem ampla maioria, mas nomes tradicionais e fortes da oposição voltarão para lá, como os senadores eleitos José Serra (PSDB-SP), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), que farão companhia ao mais duro adversário do PT desde 2002, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Já o PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, cobrará a fatura de apoio à reeleição de Dilma, bem como já deixou claro que terão candidato próprio da sigla em 2018, aumentando ainda mais o risco de fogo amigo e traições da base aliada.

Como podem observar, Dilma não tem vida fácil pela frente. Se não conseguiu fazer o país crescer no primeiro mandato – governou com maioria absoluta no Congresso, com uma oposição desidratada e sem nomes de peso, tendo como herança uma economia em expansão -, fará agora com ele dividido ao meio? Muito improvável!

Se no primeiro mandato Dilma era apenas um ponto de interrogação pela falta de experiência política, agora são vários. Só nos resta torcer pelo sucesso do país e aguardar o novo governo com os dedos cruzados.

Da Redação