Opinião: O Brasil é um país em que a realidade se confunde com a narrativa de uma piada.

Reprodução

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Por Sérgio Sant’ana

Manchete de hoje: “Ao lado de Collor, Dilma promete combate ‘sem trégua’ à corrupção”.

Isso efetivamente não agride a inteligência daqueles que afirmam que votarão em Dilma? Não me refiro aos petistas propriamente ditos, é óbvio, pois aí estaria apelando ao impossível, mas àqueles eleitores não militantes, que por razões diversas ainda acreditam no partido.

Fico imaginando qual situação hipotética se aproximaria mais da anedota real ou real anedota acima:

(i) Ao lado de Zeca Pagodinho, Adriano Imperador promete combate “sem trégua” ao consumo exagerado de álcool;

(ii) Ao lado de Hitler, Stalin promete combate “sem trégua” aos ataques aos direitos humanos;

(iii) Ao lado de Fernadinho Beira Mar, Marcola promete combate “sem trégua” ao tráfico de drogas;

(iv) Ao lado de Cheech & Chong, Marcelo D2 promete combate “sem trégua” ao consumo de maconha; e

(v) Ao lado de Cicciolina, Bruna Surfistinha promete combate “sem trégua” às ofensas aos valores morais.

Seria cômico, se não fosse trágico!

Dilma e Agnelo não deixaram marcas de governo

Divulgação

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Por Fred Lima

Antes de Dilma, todos os presidentes que passaram pela Presidência da República tinham deixado uma marca de governo, um estilo de governar. José Sarney foi importante para conduzir o processo de transição da ditadura para a democracia. Fernando Collor, impeachmado pelo Congresso Nacional, deixou como legado a abertura econômica do país. Itamar entrou para a História por ter lançado o Plano Real. Fernando Henrique foi decisivo para consolidar a estabilidade econômica e promover profundas reformas no sistema econômico brasileiro. Lula avançou socialmente distribuindo renda e tirando milhões de pessoas da miséria. E Dilma? Não deixou nenhuma marca de governo importante.

Governo de continuidade, como o de Dilma, não significa que será uma cópia descarada e sem novidades. Dilma deu prosseguimento aos projetos de seu partido e do ex-presidente Lula, mas o que fez de diferente? Nada. Governou com uma agenda cheia de colas, sem nenhuma inovação.

Agnelo

O problema maior do governo Agnelo foi tentar de forma obstinada ser o governo Joaquim Roriz, onde as obras eram o foco do GDF. Talvez pelo fato do vice Tadeu Filippelli ter sido secretário de Obras de Roriz, a identidade do governo Agnelo foi uma cópia mal feita e descarada daquela gestão, que, apesar de ter colocado as obras de infraestrutura como prioridade, tinha a distribuição de renda como diferencial.

Queiram ou não, Roriz é um político muito mais inteligente do que o atual governador. Ele sabia que o povo não se contentaria apenas com obras inauguradas. Para isso, distribuiu bolsas – o PT criticou, mas depois copiou –, dialogou muito com o povo e terminou seu quarto governo (2003-2007) com a popularidade alta.

O “novo caminho” proposto por Agnelo na eleição de 2010 é o software pirata do governo Roriz.

Da Redação