O dilema de Rollemberg: O retrovisor ou o binóculo?

images (4)Por Fred Lima

Em um automóvel, o motorista geralmente só olha para o retrovisor quando quer mudar de faixa ou então no momento em que outro veículo está em sua traseira pedindo passagem. Se o condutor só ficar olhando para o retrovisor e se esquecer de olhar para frente, acabará colidindo, pois sua atenção maior deve ser o que está adiante, não atrás.

Na vida existem várias formas de se olhar para trás, e como se enxerga o passado. Os erros cometidos por outros nos servem de exemplos para não seguirmos os mesmos caminhos que levaram ao fracasso.

Não é novidade para nenhum cidadão brasiliense que o governador Rodrigo Rollemberg herdou um abacaxi verde de seu antecessor, Agnelo Queiroz. Detalhe: a faca para descascar é de mesa e está cega. É a pior herança que um governador já herdou de um antecessor na história do DF. O que fará Rollemberg? Passará 4 anos se lamentando ou já usará o binóculo para enxergar aquilo que ainda não se ver por estar distante, ou seja, o futuro?

Governantes que só recorrem à herança maldita de outros governos como pretexto para explicarem o porquê que algumas promessas não serão cumpridas estão na verdade querendo sair pela tangente, exatamente por saberem que não conseguirão cumprir com o que prometeram em campanha.

Votei em Rodrigo Rollemberg. Acreditava que entre ele e Jofran Frejat, o atual governador poderia ter mais liberdade para governar, pois o candidato do PR teria ao seu lado dois grupos (rorizistas e arrudistas) difíceis de serem agregados e agradados. Entretanto, após algumas indicações suspeitas, como, por exemplo, a de Vasco Gonçalves para a presidência do BRB – o indicado teria causado prejuízo de mais de R$ 5 milhões ao Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco –, percebi que o modelo de governo ético pregado por Rollemberg durante a eleição já começou a ruir antes mesmo de passar a lua de mel dos 100 dias de sua gestão.

O perigo que já ronda o governo Rollemberg é a centralização. Se Agnelo flexibilizou demais e abriu a porteira para qualquer partido que o apoiasse, o atual governante está dando muito poder à sua sigla, o PSB, além de indicar compadres suspeitos para cargos importantes.

É bem verdade que todos os problemas do DF não serão solucionados em um passe de mágica, mas se Rollemberg quer fazer diferente, então porque está só olhando para o retrovisor? Agnelo fez isso durante 4 anos, quando afirmava que tinha pego um DF falido, com uma péssima herança moral, motivo pelo qual, segundo ele, não conseguiu fazer o governo de seus sonhos. A população não acreditou.

Diante de Rodrigo está o retrovisor e o binóculo. Se escolher o primeiro, a música de Cazuza definirá o seu governo: “Eu vejo o futuro repetir o passado… tuas ideias não correspondem aos fatos…”. Agora, se escolher o binóculo, a canção cantada será a de Guilherme Arantes: “Amanhã, mesmo que uns não queiram será de outros que esperam ver o dia raiar…”.

O poder de decisão está nas mãos do governador. Cabe a ele decidir entre o retrovisor e o binóculo.

Da Redação

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