Opinião: A preterida Marta e sua dor de cotovelo. Ou: Onde está Lula nas críticas da senadora?

Reprodução.

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Por Fred Lima

Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) criticou duramente Dilma e o PT, afirmando que “ou o PT muda ou acaba”. Já sobre Dilma, a senadora disse que a presidente “não ouve ninguém”, e que a economia no primeiro mandato foi “um fracasso”. Sobrou também para o ministro-chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, que foi taxado de arrogante, autoritário e hábil em “trapalhadas”.

A indignação de Marta pode ser entendida de duas formas. A primeira é que ela não disse nenhuma novidade quando afirmou que a presidente Dilma não ouve ninguém, e que o ministro-chefe da Casa Civil é arrogante e prepotente. A segunda é que o descontentamento da senadora se deve ao fato de Dilma ter afastado de seu governo todos os “olheiros” do ex-presidente Lula, que estavam lá para vigiar a presidente e passar informações ao ex-chefe.

Dilma cometeu muitos equívocos em seu primeiro mandato com relação à economia. Fortalecer o papel do Estado no setor foi o principal deles, assim como a demora em mexer na equipe econômica antes que um cenário catastrófico aparecesse. Tivemos com Dilma o pior crescimento econômico desde os governos Fernando Collor e Floriano Peixoto. Pela primeira vez após o Plano Real, o Brasil cresceu bem abaixo da média da América Latina. As escolhas de Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) foram acertadas para tentar sanear a economia, mas só funcionarão se Dilma der de fato liberdade para os ministros tomarem as decisões que devem ser tomadas.

Vejo com bons olhos a insatisfação do grupo ligado a Lula com relação ao modo de Dilma governar, pois mostra que a presidente está no caminho certo. Nunca antes na história deste país existiu um grupo tão xiita em defender com unhas e dentes o governo de seu líder, exatamente onde tivemos os dois maiores escândalos de corrupção (Mensalão e Petrolão) da República.

O interessante é vermos Marta poupar Lula, como se a crise ética que o PT atravessa não tivesse nada haver com o governo do ex-presidente. A senadora fala contra a corrupção, mas esquece de dizer que ela cresceu assustadoramente durante o mandato de Lula, a ponto de ser institucionalizada em nome de um projeto de poder.

Por atacar a corrupção e Dilma, mas deixar Lula de fora, Marta não está sendo coerente. E caso seja verdadeiro o que a senadora disse sobre o episódio em que Lula criticou Dilma diante do empresariado paulista, o ex-presidente é um ingrato de carteirinha. Todas as mazelas de seu governo, incluindo os efeitos em longo prazo da crise de 2008, onde afirmou ser apenas uma “marolinha”, estourou nas mãos de Dilma. Estourou também o Petrolão, que é o maior escândalo de corrupção da história do Brasil.

Dilma colheu a irresponsabilidade fiscal e a vergonhosa política sem escrúpulos do governo Lula. Em nenhum momento a presidente fez críticas a seu antecessor, mas se manteve fiel até agora, mesmo quando Lula desapareceu de cena em momentos difíceis, como nas manifestações de junho de 2013. Se mantiver a fidelidade em não tocar na obra do ex-presidente, Dilma não trará à tona nenhum elemento surpresa, mas ao afastar os homens de confiança de Lula do Planalto, a chefe da nação começou a mostrar que tem vida própria na Presidência da República.

Marta, é melhor relaxar e gozar!

Da Redação

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